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Se passaram 3 décadas sem ela

Se passaram 3 décadas sem ela

O clássico “Águas de Março” de Tom Jobim, foi imortalizado por Elis Regina. Para mim essa é a melhor interpretação da Pimentinha.

Apresentação no Programa Ensaio da TV Cultura.

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Feliz 2012

Feliz 2012

Receita de Ano Novo

(Carlos Drummond de Andrade)

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ver,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra
birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta ou recebe mensagens? passa telegramas?).

Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um ano-novo que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Feliz Natal

Feliz Natal

Poema de Vinícius de Moraes, interpretado por Camila Morgado e Ricardo Blat. Trecho extraído do filme de Miguel Faria Jr.

POEMA DE NATAL

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.

Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Bichos Escrotos

Bichos Escrotos

Titãs

Bichos!
Saiam dos lixos
Baratas!
Me deixem ver suas patas
Ratos!
Entrem nos sapatos
Do cidadão civilizado…

Pulgas!
Que habitam minhas rugas
Onçinha pintada
Zebrinha listrada
Coelhinho peludo
Vão se fuder!
Porque aqui
Na face da terra
Só bicho escroto
É que vai ter…

Bichos Escrotos
Saiam dos esgotos
Bichos Escrotos
Venham enfeitar
Meu lar!
Meu jantar!
Meu nobre paladar!…

Bichos!
Saiam dos lixos
Baratas!
Me deixem ver suas patas
Ratos!
Entrem nos sapatos
Do cidadão civilizado…

Pulgas!
Que habitam minhas rugas
Onçinha pintada
Zebrinha listrada
Coelhinho peludo
Vão se fuder!
Porque aqui
Na face da terra
Só bicho escroto
É que vai ter…

Bichos!
Baratas!
Ratos!
Cidadão civilizado
Pulgas!
Onçinha pintada
Zebrinha listrada
Coelhinho peludo
Vão se fuder!
Porque aqui
Na face da terra
Só bicho escroto
É que vai ter…

Bichos Escrotos
Saiam dos esgotos
Bichos Escrotos
Venham enfeitar
Meu lar!
Meu jantar!
Meu nobre paladar!…

Blues da Piedade

Blues da Piedade

Canecão 1988 – Rio de Janeiro

(Cazuza/Roberto Frejat)

Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com cara de abortadas

Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo que não têm

Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas minicertezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia

Pra quem não sabe amar
Fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada

Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem

Quero cantar só para as pessoas fracas
Que tão no mundo e perderam a viagem
Quero cantar o blues
Com o pastor e o bumbo na praça

Vamos pedir piedade
Pois há um incêndio sob a chuva rala
Somos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade

Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem

VINCERE

VINCERE

Vincere

É um erro gritar a verdade o tempo todo, mesmo que a verdade precise ser gritada.” (Benito Mussolini – VINCERE)

“Vincere”, um filme de Marco Bellocchio, conta a mais obscura das histórias da vida de Benito Mussolini, um dos principais líderes do Fascismo.

Ainda jovem Benito conhece Ida Dasler, com quem tem um filho, Benito Albino, o primogênito do ditador italiano.

Ida acreditando nas ideias revolucionárias de seu amado e completamente apaixonada, vende tudo o que tem para financiar o jornal II Polo d’Italia, fundado por Mussolini, que se tornaria a base do movimento fascista e o pontapé inicial para a fundação do Partido Fascista.

Os “belos” feitos do ditador italiano todos já conhecíamos, mas o que poucos sabiam é que este homem foi mais cruel em sua vida pessoal do que como estadista.

Após o início da 1ª Guerra Mundial ele se alista e some; quando retorna, tem uma nova família.

Inconformada com sua condição, Ida luta por seu justo e merecido lugar ao lado do líder fascista e o reconhecimento de seu filho por ele, mas ele os rejeita e para calar a primeira esposa, a interna em um manicômio, onde passa 11 anos separada do herdeiro, Benito Albino.

Ela, por diversas vezes, tenta ser ouvida e provar sua sanidade, porém tudo é inútil, já que era mantida em cárcere por ordens diretas do “grande” líder italiano, sendo assim ninguém tinha a coragem de contrariá-lo.

Duce, como Mussolini era chamado, manteve Ida internada até sua morte, em 1937. Benito Albino morreu aos 26 anos, em 1942, também em um hospital psiquiátrico, onde havia sido colocado por ordens do próprio pai.

A Itália foi libertada do Fascismo em 1945, e nesse mesmo ano Benito Amilcare Andrea Mussolini foi fuzilado pela resistência italiana.

O longa-metragem “Vincere” não é apenas um relato histórico, mas também o triste desenho de como um ser humano pode ser cruel simplesmente pelo prazer.

Um filme que choca e emociona.

Beijosmesiga @deaalves, ou não!

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